Ensinamentos Fundamentais do Budismo Ch'an

 


Os budistas geralmente reconhecem três modos básicos de atingir a sabedoria.

1. A sabedoria atingida através do ouvir

Se tivermos a boa fortuna de estarmos ao redor de pessoas sábias que entendem o Dharma, então teremos a oportunidade de desenvolver a sabedoria ouvindo-os. Podemos também desenvolver nossa sabedoria lendo sutras e literatura do Dharma, ou assistindo vídeos e filmes sobre o Dharma.

2. A sabedoria atingida através do pensar

Depois de ouvir o Dharma, devemos pensar sobre ele, ou então isso não fará qualquer bem. A sabedoria é um traço ou condição da mente. Se a mente não for usada na aquisição de sabedoria, a sabedoria não poderá ser atingida. Se recusarmos pensar sobre o que ouvimos, nenhum aprendizado será possível. Através do pensar, é possível realizar a verdade do Dharma muito profundamente. Tudo começa na mente. Quando a mente começa a se treinar no Dharma, nada pode obstruí-la do crescimento rápido e alegre.

O Buda ensinou quatro princípios necessários para nos ajudar a discriminar entre verdade e falsidade, ou entre sabedoria e ignorância. Ele disse que nosso entendimento deve seguir o Dharma e não as pessoas; que deve seguir a essência e não a letra do Dharma; que deve seguir o significado verdadeiro do Dharma e não as interpretações do significado; e que deve seguir nossa sabedoria profunda e não o conhecimento superficial.

3. A sabedoria atingida através do cultivar

Uma vez que tenhamos desenvolvido nossa sabedoria através do ouvir o Dharma e do refletir sobre o seu significado, então devemos começar a praticar o que aprendemos. A prática do budismo é chamada cultivo, já que cultivamos sabedoria e um bom comportamento do mesmo modo que um fazendeiro cultiva seus campos. O campo de interação entre nosso pensamento e comportamento é o principal campo onde a cultivação ocorre. Crescemos no budismo através de um processo contínuo de observar nosso comportamento e o ajustando para ficar mais e mais próximo com a sabedoria do Buda interior. Eventualmente, este processo de cultivo contínuo produzirá a percepção direta da não-dualidade e da vacuidade de todos os fenômenos. Este é um estado muito alegre.

(Hsing Yün Ta-shi. Only a great rain: a guide to Chinese Buddhist meditation.
Traduzido por Tom Graham, introdução de John McRae. Somerville: Wisdom, 1999. Pág. 50-51.)

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